A Amazônia desempenha um papel vital na estabilidade climática regional e global e abriga uma riqueza incomparável em biodiversidade e povos indígenas e tradicionais que dependem dela para sua subsistência e cultura. No entanto, a Amazônia e sua diversidade biossocial enfrentam graves ameaças conectadas à chamada tripla crise planetária, termo adotado pela ONU para descrever as principais crises socioecológicas que afetam o mundo atualmente: emergência climática, perda de biodiversidade e aumento da poluição.
Essas três crises, associadas diretamente às ações humanas, ao modelo predatório de desenvolvimento e à superexploração de recursos naturais, impactam os meios de subsistência e o desenvolvimento econômico, aumentam as vulnerabilidades socioecológicas e os riscos de surtos de doenças, e têm consequências drásticas sobretudo para os grupos mais
desfavorecidos e vulnerabilizados.
O desmatamento, a degradação, os incêndios, as mudanças climáticas e o
aproveitamento desenfreado dos recursos naturais estão colocando a Amazônia muito próxima de um ponto de não retorno, de tornar-se um ecossistema permanentemente degradado, em uma área significativa, comprometendo sua capacidade de prover benefícios climáticos, sociais e para a biodiversidade.
É nesse contexto desafiador que nasceu, no ano de 2023, a iniciativa de criar um centro de estudos e pesquisas na USP, baseado na colaboração entre a USP e universidades e institutos de pesquisa amazônicos. O Centro de Estudos Amazônia Sustentável (Ceas) busca agregar cientistas e estudantes de diversas instituições de ensino e pesquisa para juntos atuarem como um catalisador de conhecimento transdisciplinar, buscando soluções inovadoras e adaptativas que promovam a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico na Amazônia, baseando-se na combinação de ciência básica e aplicada com os conhecimentos dos povos indígenas e comunidades locais.