Docente da FSP-USP participa de discussões do documento preparatório para a COP30, em reunião da OPAS em Brasília

Entre os dias 18 e 19 de março, a sede da OPAS em Brasília recebeu a Reunião de Consulta Preliminar do Plano de Ação de Clima e Saúde da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30). O evento marca o primeiro passo na discussão do Plano de Ação em Saúde a ser apresentado na COP30, em Belém (PA). As autoridades, cientistas e especialistas presentes discutiram o documento preparatório para  a proposição de medidas de adaptação às mudanças climáticas para o setor de saúde.

A professora Gabriela Di Giulio, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, coordenadora do PPG Saúde Global e Sustentabilidade e membro da coordenação do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) da USP, acompanhou os debates.

Os painéis discutiram equidade em saúde, lacunas de evidências em políticas de adaptação para o setor de saúde, financiamentos para iniciativas climáticas e de saúde e experiências compartilhadas das COPs.

Para a estudiosa, que tem a emergência climática como principal temática de pesquisa, as mudanças climáticas amplificam e aceleram as contradições e os problemas sociais, como a pobreza e as desigualdades, ampliando abismos existentes entre territórios, grupos e indivíduos. 

“Não à toa, a Organização Mundial da Saúde situa as mudanças climáticas como a principal emergência de saúde global que enfrentamos neste século”, afirma Gabriela.

A experiência dos debates foi “uma oportunidade ímpar de observar os principais pontos trazidos por aqueles que estão se debruçando sobre a proposição de estratégias para proteger a saúde diante da emergência climática”, destaca.

Para a professora, as estratégias de adaptação, ou seja, as formas de promover ajustes em diferentes áreas e setores na tentativa de antever impactos negativos das mudanças climáticas e de reduzir vulnerabilidades, “precisam reconhecer que as desigualdades sociais continuam a definir os impactos, os desastres e as catástrofes relacionadas aos eventos climáticos”.

Ela destaca questões chave como “a necessidade de propor ações de adaptação baseadas em evidência, considerar efetivamente os conhecimentos e saberes que estão dentro dos territórios indígenas, quilombolas, periféricos e o olhar às múltiplas dimensões de justiça”, afirma.

O evento organizado pelo Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, contou com a participação de uma diversidade de setores e atores, incluindo a OPAS, ABRASCO, Lancet Countdown on Health and Climate Change, Fiocruz, Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Wellcome Trust, além de representantes de diferentes países, incluindo integrantes de edições anteriores da COP, pesquisadores e membros de organizações da sociedade civil.

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